José Afonso Braga,
47 anos, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em 2013. A
doença ataca o sistema nervoso central e provoca paralisia motora progressiva e
irreversível. Já no primeiro ano após a confirmação do diagnóstico, Zé, como prefere
ser chamado, perdeu todos os movimentos do corpo e também a voz.
Ele chegou a experimentar aplicativos voltados para pessoas com
distúrbios na fala, mas a maioria das opções no mercado era limitada ao idioma
inglês, possuía dicionários fixos e uma interface confusa. Com formação em
tecnologia da informação, o mineiro, pai de três filhos, traçou uma espécie de
luta contra o tempo para desenvolver uma forma alternativa de se comunicar. Foi
quando surgiu o WeCanSpeak.
A entrevista, feita na sala de estar da casa de Zé, aconteceu num
condomínio no Lago Sul, sob o olhar atento da esposa, Valéria Braga. Poucos
minutos antes da conversa começar, ele brincou: “Coloca um filtro tipo Tom Cruise (ator norte-americano)
nessa câmera. Pra eu ficar bonitão”.
O bate-papo ocorreu única e exclusivamente
pelos movimentos dos olhos do entrevistado, que se fixam nas teclas da tela de
um computador até formar palavras, posteriormente transformadas em áudio.
Apesar de todas as limitações, ele conta que está bem, sobretudo em razão dos
cuidados qualificados que recebe e de todo o apoio da família e de amigos.




