Enquanto milhares de pessoas aguardam há anos nas filas da habitação, alguns poucos privilegiados que foram contemplados com unidades no recém-inaugurado Residencial Rubi, na zona oeste de Franca, já têm colocado os apartamentos à venda.
A reportagem do Jornal da Franca, ao constatar anúncios via redes sociais, foi a campo e encontrou, em menos de meia hora, três apartamentos sendo vendidos no Residencial Rubi. Os valores variam de R$ 15 mil a R$ 35 mil. Trocas por carros também são aceitas.
Um dos vendedores afirmou que aceitou a unidade habitacional e, a princípio, pretendia morar na mesma. Mas depois teria se arrependido porque “o bairro é distante e o apartamento muito pequeno”.
Ele afirmou saber que a transação é ilegal, mas que isso “não é problema seu” e sim de quem comprar. “A única coisa é que não pego imóvel mais desse jeito. Mas quem pode perder é quem comprar e esse perigo eu não escondo de quem for comprar”, disse o mutuário, o qual preservaremos a identidade.
Quando as habitações são entregues, o mutuário é consciente de que está recebendo dinheiro público, por meio do subsídio no valor das prestações, e que os apartamentos não podem ser negociados, mas nem assim se preocupam com as consequências.
Em outro conjunto habitacional, no Parque dos Pinhais, entregue há sete anos, segundo um porteiro, a minoria dos moradores originais, sorteados pela CDHU (Companhia do Desenvolvimento Habitacional Urbano), ainda moram nos apartamentos, que atualmente chegam a ser vendidos por R$ 55 mil. Já os aluguéis ficam na casa dos R$ 600 mensais, fora o condomínio.
Quem compra este tipo de habitação, como no caso do Residencial Rubi, está sujeito a perder o dinheiro aplicado e ser obrigado a devolver o apartamento, que será remanejado para outros mutuários que aguardam na fila de espera de suplência.



