No primeiro semestre deste ano, as ações policiais do estado de São Paulo mataram 459 pessoas, o maior número dos últimos 14 anos, na comparação com os primeiros seis meses dos anos anteriores.
Na pesquisa não foi divulgado um registro por região, mas em Franca, se considerado o tamanho e a população superior a 350 mil habitantes, os registros do gênero são insignificantes. E detalhe curioso é que parte da população concorda com uma ação mais rígida por parte das polícias.
O número crescente de mortes durante ações das polícias Civil e Militar, revelados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), preocupa especialistas. O balanço é um compilado a partir de dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Desde 2001, quando a SSP começou a contabilizar as estatísticas criminais, o índice do primeiro semestre de 2017 só perde para o ano de 2003, quando foram mortas 487 pessoas.
Os números apontam ainda que, neste primeiro semestre, 30 policiais civis e militares foram mortos em serviço e de folga no estado, o menor número desde 2001. Em média, para cada policial que morreu em serviço de janeiro a junho, as polícias mataram, também durante serviço, 36 pessoas.
“A política até agora tem sido ignorar o fato de que as polícias têm matado muita gente todo ano em uma série de ações que são, no mínimo, questionáveis do ponto de vista legal. Elas não são adequadamente investigadas, não sabemos o que acontece com os policiais envolvidos nessas ocorrências. A política tem sido a omissão em relação ao tema”, diz a diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno.
Dados analisados pelo Fórum mostram que, de 2001 até 2017, em contrapartida, o estado de São Paulo conseguiu reduzir em 70% os homicídios dolosos.
A Secretaria da Segurança Pública disse, por meio de nota, que “desenvolve ações para reduzir a letalidade policial. No entanto, é importante ressaltar que a opção pelo confronto é sempre do criminoso”. O órgão justificou que “o índice de criminosos que morrem após reação da polícia para combater crimes foi de 17%”.
“Todos os casos registrados são rigorosamente apurados para constatar se a ação policial foi realmente legítima. Para dar maior qualidade às investigações que envolvem agentes de segurança, foi implementada a Resolução SSP 40/2015, que exige o comparecimento da Corregedoria, do comando local e de uma equipe de perícia específica, além do acionamento do Ministério Público”, diz a nota.



