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Apesar de inúmeras campanhas, cresce número de casos de Aids no país

Enquanto no Brasil são 39 mil novos casos da doença ao ano, em Franca foram 92 de junho de 2015 até agora

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Lucas explica que é possível controlar a infecção pelo HIV com medicações que impedem a replicação do vírus (Foto: Ricardo Fernandes)

Desanimador. É esse o cenário da Aids hoje no Brasil, cujas estatísticas revelam aumento de número de casos e, mais: cerca de 12 mil brasileiros são vítimas fatais da doença anualmente. “Infelizmente, as estatísticas não são animadoras, pois mesmo com todo conhecimento adquirido sobre a doença desde sua descoberta, no início dos anos 80, como ela se comporta em sua evolução e avanços impressionantes no tratamento da Aids e suas complicações, o número de casos não para de crescer”, observa o infectologista Lucas Fernandes de Macedo.

Por isso, o objetivo da campanha lançada no dia 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Aids, pelo Ministério da Saúde tem como lema, prevenir, testar e tratar. “Existe um grande esforço por parte do Ministério da Saúde, através de campanhas no sentido de conscientizar as pessoas sobre como se prevenir da infecção pelo HIV. Quando necessário, os testes que detectam a doença são realizados gratuitamente na rede pública”, explica Lucas.

Franca à frente

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Em Franca, existe um centro de tratamento e testagem onde são abordadas todas as doenças sexualmente transmissíveis e as campanhas são realizadas em nível nacional pelo Ministério da Saúde. Além disso, a Unimed Franca dispõe de uma rede de profissionais especialistas para atendimento destes casos, realiza palestras e promove eventos internamente e nas empresas conveniadas nas SIPATs – Semana Interna de Prevenção de Acidentes, a fim de fornecer informações e esclarecer dúvidas pertinentes às doenças sexualmente transmissíveis.

Segundo o especialista, em 2015, as campanhas começaram em janeiro, já preparando as pessoas para as festas de Carnaval, em maio em conjunto com o Dia das Mães, em junho foi lançada a campanha #partiuteste visando as grandes festas populares brasileiras e, agora em dezembro, a data comemorando a luta mundial contra a Aids. “O foco destas campanhas é, principalmente, o público jovem. Pesquisas mostram que de 2006 até agora houve um aumento de 40% de casos em pessoas entre 15 e 24 anos. Sabemos que esta população tem mais parceiros sexuais e eles se abstêm do uso do preservativo”, comenta.

Lucas cita uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde com mais de 10 mil entrevistados. Nela, mostrou-se que 94% destes tinham o conhecimento de que o uso da camisinha é a forma mais eficaz de prevenir as doenças sexualmente transmissíveis, mas 45% dos entrevistados não fez uso do preservativo em relações sexuais nos últimos 12 meses. “É um índice de abstinência muito elevado! Jovens também têm tendência a pensar que a doença não é perigosa, fato que contribui para esse aumento de casos nesta faixa etária”, reforça.

O resultado disso é que apesar de toda estrutura oferecida e das inúmeras campanhas de orientação e conscientização, novos casos de Aids continuam sendo registrados em Franca. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Franca, 92 novos casos de Aids foram registrados na cidade entre junho de 2015 e junho deste ano – um a cada 4 dias. O número é 41,53% maior do que os novos casos verificados entre os meses de junho dos anos de 2014 e 2015. 

Segundo o levantamento, deste total, 71% foram diagnosticados na população masculina (65 casos) e 29% na população feminina (27 casos). 

Muitos desconhecem

De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2014, a epidemia no Brasil apresenta taxa de detecção em torno de 20,4 casos, a cada 100 mil habitantes. Isso representa aproximadamente 39 mil novos casos de Aids ao ano. E o mais preocupante é que, das mais de 734 mil pessoas vivendo com HIV e Aids no Brasil, 150 mil desconhecem seu diagnóstico. “Esse é um problema a se considerar, já que inicialmente, a pessoa infectada pelo HIV pode não apresentar qualquer sintoma e a doença continuar a evoluir perigosamente de forma silenciosa. E pior, esta pessoa infectada pode transmitir o vírus mesmo sem saber que está com ele”, alerta o infectologista, que explica que a fase silenciosa dura em média oito anos. “Daí a importância das campanhas darem ênfase não só à prevenção, mas no diagnóstico e tratamento precoce, os quais irão impedir a progressão para formas graves e a transmissão do HIV”, pondera.

Desde 1996, todos os remédios contra a doença são de graça e o governo federal aumentou a distribuição. Antes, recebia o remédio somente quem desenvolvia a Aids ou tinha carga viral muito alta, mas desde 2013 todos os soropositivos tomam o antirretroviral. “Atualmente, conseguimos controlar com eficiência a infecção pelo HIV com medicações que impedem a replicação do vírus. São drogas conhecidas como ‘coquetel’. No entanto, hoje já existe a opção de tratamento com apenas um comprimido, o qual contém três medicamentos juntos, uma vez ao dia”, esclarece Lucas, que completa: “é importante lembrar que, após iniciado o tratamento, a medicação deve ser tomada religiosamente todos os dias, pois há controle eficiente, mas não há cura. O não uso ou o uso inadequado da medicação pode ter consequências catastróficas. Do contrário, a pessoa que faz o tratamento regularmente vive muito bem”, afirma o médico, que possui pacientes que tratam o HIV há mais de 20 anos e levam uma vida normal, trabalham e têm família. “É como quem tem pressão alta ou diabetes: o paciente com HIV deve tomar seu remédio diariamente. O detalhe é que se trata de uma doença transmissível, devendo-se ter cuidado para prevenir a transmissão”, ressalta.

NO FOCO

Lucas Fernandes de Macedo – Infectologista

CRM: 116570

Rua Voluntários da Franca, 2238, São José

Telefone (16) 3721-7426

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