quinta-feira, 18 jun 2026 ☀ Franca/SP 18°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

Aumentam os divórcios e a busca pela reversão de vasectomias no Brasil

Senhor de 63 anos reverte vasectomia de 28 anos e recupera 70% de sua capacidade reprodutiva

Compartilhar

Especialista em saúde sexual masculina, o andrologista Carlos Augusto Pinto fala sobre a reversão (Foto: Reprodução)

Segundo
o dado nacional mais recente do IBGE, de 2015, o número de divórcios ao ano no
Brasil cresceu 160% em 10 anos. Um dos motivos para o crescimento é
simplesmente porque se separar, hoje, é bem mais prático.Em meio a este cenário
cresce também a procura dos homens pela reversão de vasectomia, novos
relacionamentos, uma nova vontade ter filhos.

Foi o que
aconteceu com o empresário Marcus Burjato, com 63 anos, pai de dois filhos de
um casamento anterior, decidiu reverter sua vasectomia de 28 anos – cirurgia
para tornar o homem infértil. Burjato decidiu realizar o sonho da atual esposa de ter um filho. As chances eram pequenas, porém o procedimento foi um sucesso.

O
procedimento foi um marco, já que o tempo entre a vasectomia e a sua reversão é
de vital importância para a obtenção de bons resultados. No Brasil, já havia
sido registrado reversões bem-sucedidas com até 25 anos, não mais que este
período, e em homens mais novos. 

Continua depois da publicidade

Com técnicas
microscópicas e sob raqui-anestesia, o andrologista e diretor do Instituto
Paulista, Carlos Augusto Araújo Pinto, conseguiu reverter o procedimento.
Em um período de 90 dias, o espermograma apontou que o paciente havia
recuperado 70% de sua capacidade reprodutiva, um recorde.

“A
reversão é um procedimento delicado que exige um microscópio capaz de aumentar
entre 20 e 25 vezes, cuidado comparado ao de operações neurológicas, porque o
tubo epididimálio é minúsculo. Só deve ser feito por mãos de profissionais bem
qualificados. À medida que o tempo passa, a hiperpressão no epidídimo (tubo
espiralado que fica na parte de trás do testículo, responsável por armazenar e
transportar o esperma) vai gerando fibrose e surgem obstruções não no lugar em
que foi feita a ligadura, mas abaixo desse ponto, o que complica a cirurgia, os
espermatozóides não aparecem. Então, em vez de tirar aquele segmento e ligar os
dois ductos deferentes, é preciso levá-los ao epidídimo num ponto próximo a
esses que apresentam fibrose, fazendo uma conexão que deixa fora a área
obstruída”, afirma o médico.

Ainda
segundo o especialista, hoje já se sabe que reversões com menos de três anos
após a vasectomia, a chance de obtenção de espermatozoides no esperma ejaculado
é de 95% com 76 % de taxa de gravidez. Entre 3 e 8 anos, 88 % com 53 % de
chances de gravidez. Entre 9 a 14 anos, 79 % e 44 % de gravidez. Após 15 anos,
aproximadamente 40%, com menos de 25% de chance de gravidez. É importante
lembrar que essas taxas de gravidez são obtidas por meios naturais

Reversão
De acordo com a
Sociedade Brasileira de Urologia, paralelamente ao aumento do número de homens
vasectomizados, têm aumentado o número daqueles que passam a desejar ter novos
filhos. A causa mais comum é a constituição de novas famílias com mulheres que
ainda não têm filhos. Outras eventuais, como falecimento de filhos, também são
citadas esporadicamente.

A
procura pela reversão de vasectomia hoje já está entre os principais motivos
que o Instituto Paulista, em São Paulo, é procurado. “Em média 20
pacientes nos procuram mensalmente para reversão, número bem
considerável”, acrescenta o andrologista.

Vasectomia no Brasil
“A idade
média dos homens que fazem vasectomia no Brasil é de 27 anos na rede pública e
de 34 no sistema privado. Segundo o Ministério da Saúde, o número de
esterilizações masculinas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) subiu de
7.798 em 2001 para 34.144 em 2009, um aumento de mais de 4 vezes, últimos dados
publicados.

Para
ser submetido à operação, o homem precisa ter acima de 18 anos e dois filhos ou
acima de 25 anos, com ou sem filhos, explica o especialista em saúde sexual
masculina, Carlos Araujo, que também realiza reversões de vasectomia.
Muitos ainda desconhecem dados sobre a real possibilidade de reversão
microcirúrgica da vasectomia que imaginavam como “definitivas”.

Especialista em saúde sexual masculina, o andrologista e diretor do Instituto Paulista, Carlos Augusto Araújo Pinto, responde: Mito ou verdade?

Mito ou verdade? A vasectomia é um processo
irreversível?
Mito. A
vasectomia é um procedimento passível de reversão. Contudo, a chance de
reversão é reduzida progressivamente com a passagem dos anos, ou seja, um homem
que realizou a vasectomia há cinco anos possui chance consideravelmente menor
de sucesso na sua reversão do que outro que realizou há apenas dois anos. É
importante frisar, que, ao contrário da vasectomia, que é um procedimento
simples, sua reversão é muito mais complexa, necessitando de internação
hospitalar, raquianestesia ou anestesia geral, material microcirúrgico
apropriado e é uma cirurgia com duração mais longa. Assim sendo, é sempre
importante ressaltar que os pacientes que optam por essa forma de contracepção
devem encará-la como um método definitivo.

Mito ou
verdade?

Quem faz vasectomia fica impotente?
Mito. A
vasectomia em nada interfere na potência sexual, que é algo relacionado à
vascularização do pênis, aos níveis de testosterona e ao equilíbrio emocional
(ansiedade). O homen que faz vasectomia possui a mesma capacidade de ter
relações sexuais que possuía antes deste procedimento.

Mito ou
verdade?

Após a vasectomia não há ejaculação?
Mito. A
vasectomia impede a passagem dos espermatozóides para se juntarem ao líquido
seminal, – que é produzido principalmente pelas vesículas seminais e próstata-.
Ou seja, o homem continuará produzindo esperma e ejaculando, só que sem a
presença dos espermatozóides no seu conteúdo (que são os principais
responsáveis pela fecundação).

Mito ou
verdade?

Homens que nunca tiveram filho não devem fazer vasectomia.
Verdade. O
Ministério da Saúde possui critérios bem estabelecidos para a realização da
vasectomia, que apesar de ser um procedimento simples não deve ser banalizado.
Esses critérios são:

1- Ter pelo
menos dois filhos vivos;
2- Ter, no
mínimo, de 25 anos;
3- Deve ser
respeitado um período de 60 dias entre a manifestação de desejo pelo método por
parte do paciente e a realização da cirurgia, para que neste período o paciente
possa buscar mais informações sobre o procedimento e realizá-lo de forma mais
amadurecida.Recomenda-se ainda que o homem possua estabilidade conjugal havendo
um comum acordo do casal.

Mito ou
verdade?

A cirurgia de vasectomia diminui o tamanho o pênis.
Mito. Após a
puberdade, o pênis adquire o seu tamanho “final” por volta dos 18 anos. A
vasectomia em nada interfere no seu comprimento, já que se encontra em seu
tamanho definitivo. O único procedimento cirúrgico capaz de diminuir o pênis
seria sua amputação, que só está indicado em casos de câncer de pênis.

Mito ou
verdade?

Homens acima dos 60 anos já estão estéreis e, por isso, não precisam fazer
vasectomia ou qualquer outro método contraceptivo.
Mito. No ano
2000, um estudo foi publicado na revista Human Reproduction comprovando, pela
primeira vez, que os homens também têm sua chance de engravidar diminuída com o
envelhecimento. A produção masculina de testosterona, hormônio que influencia
na geração de espermatozóides, começa a minguar a partir dos 30 anos, o que
explica esse fato. Mas, exceto em caso de doenças, não há limite de idade para
que um homem possa ser pai. Ou seja, depois dos 60 anos as chances de um homem
conseguir engravidar sua parceira podem até ser menores, mas continua sendo
possível, e a depender do número de relações sexuais semanais, da idade da
parceira e da qualidade dos espermatozóides do paciente pode ser ainda uma
chance relativamente alta.

Entre linhas

Verdades. Mentiras. Histórias. Estórias. Um pouco de tudo.