
No ano passado, Alderico Ferreira da
Silva, 57, largou o emprego num centro de assistência social e entregou a casa
onde vivia sozinho de aluguel. Sem dinheiro, voltou para uma situação em que já
esteve outras vezes –a de morador de rua. Convencido por colegas, só não largou
a faculdade de enfermagem. Passando as noites em um abrigo, deve se formar no
fim do ano e acaba de conseguir emprego em um hospital.
“Desde criança em Salvador meu sonho
era ser alguma coisa. Meu pai queria que eu fosse médico. Em casa eu era o caçula
de cinco filhos. Mas o regime era muito rígido. Tempo da sola, da palmatória.
Todo mundo se mandou.
Quando completei 13 anos eu disse “basta” e saí de casa.
Comecei a trabalhar. Tudo o que aparecia na frente eu queria fazer. Em Salvador
eu ficava em pensão. Em algumas das construções onde trabalhei tinha
alojamento.




