
Você já se sentiu monitorado por receber um lembrete no celular que não havia solicitado ou o anúncio de um serviço ou produto que estava precisando? Essas ofertas rotineiras que os dispositivos fazem não são mesmo ao acaso.
O avanço da lógica algorítmica, segundo especialistas, transformou as atividades no mundo virtual, e quiçá no offline, no que chamam “pegadas digitais”.
Esses registros, que muitas vezes o internauta sequer têm noção de fornecer, colaboram para a assertividade das comunicações eletrônicas com o humano de frente para a tela.
E o celular, ainda subestimado, é uma forte ferramenta para este rastreamento. As redes sociais acessadas pelo celular, por exemplo, geram muitas informações sobre o perfil do dono.
Por ficar a disposição das pessoas durante todo o dia, o celular armazena outros dados diversos. Mesmo trajetos percorridos na vida real, quando o geolocalizador está ligado.
O monitoramento serve, principalmente, à publicidade. Por isso, as empresas que mais investem nele são aquelas que vendem anúncios digitais e o varejo.
Mas, segundo os especialistas, além de vender produtos, pode servir a influências políticas — como no caso nas campanhas eleitorais.
Lei quer proteger internautas
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), aprovada no Brasil em 2018, foi uma vitória para a Coalização Direitos na Rede, entre outras organizações que participaram de sua elaboração, por determinar como, quando e porque empresas e poder público podem tratar, armazenar e compartilhar as informações capturadas durante navegações.
A lei inicialmente estava prevista para entrar em vigor no dia 14 de agosto deste ano, mas uma medida provisória do presidente Jair bolsonaro sugeriu o adiamento, por causa da pandemia do coronavírus.
Na última quarta-feira, no entanto, o Senado negou a proposta e encaminhou o projeto para a sanção presidencial, o que deverá ocorrer em até 15 dias.
Uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados, órgão responsável por regulamentar, fiscalizar e monitorar o cumprimento da lei, também foi criada pelo governo federal.
Mas, além dessa proteção, o usuário pode e deve fazer a sua parte, se não quiser sua vida sendo espionada.
A mudança de comportamento, a revisão de permissões dadas aos aplicativos e até o download de dispositivos de segurança podem ajudar nesta missão. Para este último passo, há opções gratuitas e pagas.



