O Dia das Crianças acende nos adultos um espírito leve e de boas lembranças de um período tão único na vida de todos. Época de brincadeiras na rua, amizades leais, apego aos brinquedos favoritos… A data resgata memórias de momentos vividos intensamente. Muitos fazem questão de não deixar tudo isso guardado apenas nas lembranças e decidem levar consigo pelo resto da vida de forma palpável. Como é o caso do empresário Paulo Tosta Júnior, 56 anos. Ele coleciona brinquedos do Velho Oeste e reúne mais de 300 peças.
Apaixonado por histórias e filmes de faroeste desde os 6 anos, Paulo lembra que estava em uma festa na casa do vizinho e, durante uma brincadeira, precisou se agachar. Ao olhar debaixo de um armário, viu peças de cavalos. “Eles eram maravilhosos. Aquilo ficou gravado na minha mente e foi amor à primeira vista”, conta. Da infância, em Miguelópolis, cidade do interior de São Paulo, ele lembra do pai assistindo a séries como Rin tin tin, que conta história de um cachorro que acompanhava uma unidade da Cavalaria dos Estados Unidos.
Com o passar dos anos, ele começou a conhecer histórias do Velho Oeste e os brinquedos que ilustravam aqueles cenários selvagens do segmento. “À época, começava a chegar ao Brasil a empresa espanhola Casablanca, que vendia brinquedos, chamados figuras para o faroeste. Tinha índios, soldados, cavalos, aquilo influenciou uma geração. Assistíamos ao filme Fort Apache — que faz referências a episódios sangrentos da guerra da cavalaria estadunidense contra os índios —, foi sucesso de público”, relembra. Algumas fábricas de brinquedos passaram a produzir peças baseadas no longa. Como morava em uma cidade pequena, precisava se deslocar até Ribeirão Preto, a aproximadamente 112km de Miguelópolis, para comprar os artigos.
Ao completar 9 anos, Paulo ganhou as peças do Forte Apache, produzidas pela empresa Gulliver. “Eu passava o dia inteiro tocando a corneta, igual ao filme do Rin tin tin, fazendo barulho dentro de casa, até os vizinhos ouviam”, conta, sorrindo. Mas, com o passar dos anos, deixou a brincadeira de lado, deu os brinquedos para os sobrinhos e seguiu outros caminhos. Aos 50 anos, voltou a visitar aquele sonho antigo. “Com o acesso à informação como temos hoje, descobri blogs que falam sobre o Velho Oeste e voltei a viver essa nostalgia. Encontrei pessoas que viveram a mesma época e essa fascinação pelas duas marcas — Casablanca e Gulliver —, que vendiam os brinquedos.”




