O ato de assistir a filmes ou vídeos online ficou mais frequente no
Brasil. Entre aqueles com acesso à internet, o índice das pessoas que adotam
essa prática saiu de 49% para 71% entre 2012 e 2017.
As informações são da Pesquisa TIC
Domicílios, mais importante levantamento sobre internet e tecnologias da
informação e comunicação do país, produzida pelo Centro de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), divulgada na última
quarta-feira, 25 de julho.
Com este crescimento, o ato de
assistir vídeos online alcançou
a primeira posição entre as atividades multimídias realizadas pelos internautas
brasileiros, empatando com o consumo de áudio na web. Este hábito também
aumentou, mas em menor proporção. Entre 2013 e 2017, consumir áudio passou de
63% para 71%. Já o hábito de jogar pela web
ficou estável nos últimos cinco anos, variando de 33% para 34%.
Segundo o ranking de sites
Alexa, das cinco páginas mais acessadas do país, duas têm entre suas atividades
principais o oferecimento de vídeos online: YouTube, em 3º, e Globo.com, em 5º.
O Netflix, popular serviço de streaming pago de vídeos, aparece em 14º. Já o
Xvideos, que divulga conteúdos pornográficos, é o 15º. O relatório YouTube
Insights 2017, da própria plataforma, registrou no ano passado 98 milhões de
usuários no país. O Netflix não divulga sua quantidade de usuários.
Download
de vídeos e música
Enquanto o streaming avançou, o download
de conteúdos (quando o arquivo precisa ser transferido para o computador antes
de ser executado como filme ou música) foi reduzido no caso dos conteúdos
audiovisuais. O download de
músicas saiu de 46% em 2012 para 42% em 2017. No mesmo período, o de filmes
caiu de 31% para 23%. Houve acréscimo nos jogos, de 18% para 26%, e no de
programas e aplicativos, de 16% para 24%.
Há diferenças grande nesse hábito por
idade. As pessoas entre 16 e 24 anos baixam músicas (64%) acima de três vezes
mais do que aquelas com mais de 60 anos (19%). No download de séries, essa diferença sobe para mais de quatro
vezes. Já a renda não aparece como fator direto. Os índices maiores de
conteúdos baixados estão na faixa intermediária de 5 a 10 salários mínimos.
Compartilhamento
e criação
O compartilhamento de conteúdos na
web foi uma prática de 73%
dos internautas em 2017. Entre as pessoas com ensino fundamental, o índice
ficou em 64%, enquanto nas que concluíram o ensino superior foi de 83%. A faixa
etária mais ativa foi a de 16 a 24 anos, com 81%. A prática decai conforme a
idade, ficando em 54% acima no grupo de pessoas com 60 anos ou mais. O compartilhamento
também varia conforme a renda, indo de 65% nas classes D/E até 87% na classe A.
Já a criação é realidade menos
frequente entre os internautas. Em 2017, 37% postaram textos, imagens, vídeos
ou fotos e 20% criaram ou atualizaram blogs ou sites. No recorte por idade, a
faixa mais ativa na publicação de conteúdos foi a de 16 a 34 anos (45%). Já
entre as classes, houve uma relativa estabilidade, com a prática ocorrendo 39%
dos internautas da classe A e 35% das pessoas das classes D/E.
Tendência
de crescimento
Na avaliação da pesquisadora em
mídias digitais e doutoranda do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), Daniela Dantas, diversos fatores vêm impulsionando o
consumo de vídeo online no país e no mundo e devem estimular o crescimento
deste fenômeno nos próximos anos.
Entre estes, estão a maior
disponibilidade de plataformas de distribuição destes conteúdos, especialmente
de forma gratuita, uma conectividade maior das pessoas, a disseminação dos
dispositivos móveis e mudanças nos hábitos de consumo audiovisual dos usuários.



