
A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) instaurou, de janeiro a setembro, nada menos que 746 inquéritos em Franca. A especializada é responsável pela investigação de crimes praticados contra menores mas o principal foco de atendimento é a violência contra as mulheres. Delitos mais comuns registrados são casos de agressões físicas e sexuais.
Joana (nome fictício) foi espancada pelo marido há três anos. Ela voltava do trabalho de sapateira em uma fábrica de Franca quando foi recebida pelo homem, drogado e bêbado, a pancadas. Ele fugiu e ela foi hospitalizada. Assim que teve alta procurou a Delegacia da Mulher e o hoje ex-marido acabou preso por tentativa de homicídio, já que a agrediu até com um pedaço de pau. Ele continua na cadeia, porque respondia em liberdade por tráfico de drogas.
Casos assim são corriqueiros na DDM. E não são poucos, apesar do rigor da Lei Maria da Penha. Somente de janeiro a setembro último, foram 746 registros na DDM de Franca, principalmente relacionados a abusos sexuais e agressões contra crianças, adolescentes e mulheres, uma média, se considerados os dias úteis, superior a quatro casos por dia. No ano passado todo, foram 1226 inquéritos abertos e 156 prisões efetuadas.
Desses casos, 69 pessoas acabaram presas em flagrante; outras cinco, por mandado, em um total de 74 prisões efetuadas. Grande parte delas pelas acusações já citadas. Muitos casos envolvem o uso de bebidas alcoolicas ou entorpecentes, por parte dos agressores, que seriam os “responsáveis” pelas barbáries. Outros agem friamente.
É o caso dos estupradores. A maioria dos casos acontece de forma continuada, muitas vezes por anos a fio, com os marginais escondidos pelo medo de denunciar das vítimas, já que o estupro costuma vir acompanhado de muitas ameaças, inclusive de morte.
A recomendação das autoridades é direta: no primeiro abuso, é fundamental denunciar para que a situação não se agrave e as agressões sejam prolongadas. O mesmo se aplica às mulheres, haja vista que hoje elas contam com respaldo não somente das autoridades policiais, mas também no âmbito social, com a Casa da Mulher Vitimizada. É a única forma de as estatísticas, pelo menos, pararem de crescer.



