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Fiscalização que termina em agressão reflete a falta de diálogo do governo de Franca

Pode ser que a Prefeitura tenha tentado antes, sem sucesso, mas o caminho seria envolver a comunidade na solução do problema

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O tumulto durante a fiscalização de setores da Prefeitura de Franca frente aos vendedores ambulantes no centro de Franca representa o fracasso do diálogo e de outras iniciativas, além de carimbar uma mancha no governo municipal.

Representa um projeto governamental que, na falta de outras capacidades, se impõe pelo terror ou pela força.

O governo, de todas as esferas, deveria ter o conhecimento de que qualquer fiscalização externa, feita em pontos de vendas, junto a vendedores ambulantes, tem sempre a possibilidade de terminar em confronto.

É só buscar no histórico de fiscalizações em qualquer cidade brasileira.

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A fiscalização, que está no seu direito, vai lidar com pessoas que estão no limite do desespero, principalmente agora nessa fase de pandemia, onde o dinheiro raleia, a comida falta na mesa e ver os filhos passando necessidades significa a porta de entrada da desesperança.

Todo governante tem esse conhecimento – ou deveria ter.

Pode ser que a Prefeitura tenha tentado antes, sem sucesso, mas o caminho seria envolver a comunidade na solução do problema, ao invés da fiscalização e repressão como primeiro passo.

Chamar os vereadores e o Ministério Público para a ampla discussão de como resolver a questão. Oferecer oportunidade, criar novos mercados populares, descobrir áreas onde instalar os ambulantes.

E acima de tudo, facilitar a legalização da atividade, até mesmo fornecendo documentação, orientação, crédito e qualquer coisa que encaminhe o ambulante num caminho de sobrevivência e prosperidade.

Afinal, não é só com os ambulantes que a Prefeitura de Franca tem falhado. Acontece o mesmo com os moradores em situação de rua.

Só que com os moradores de rua a Prefeitura está tendo mais paciência, ainda não “desceu o cacete”.

Apuração

O poder público municipal até pode anunciar que vai abrir procedimento administrativo para apurar a responsabilidade pelos fatos no centro da cidade.

Mas qualquer que tenha sido a sequência dos fatos e o autor da “cacetada”, para a população francana a responsabilidade final será da administração municipal.

Afinal, outros governos lidaram com o mesmo problema sem chegar a esse extremo.