Janaina Leão, de Barra Longa
Estou em Barra Longa, Minas Gerais, distrito que fica a 30 quilômetros de Mariana, trabalhando como voluntária. A situação aqui ainda é caótica, mas o pior já passou, que foi tirar a lama das casas. As pessoas que entram em contato com esta lama adquirem dermatites, entre outros problemas de saúde. Por isso, a maioria das pessoas têm usado botas de plástico. Muitos animais morrendo atolados na lama ou intoxicados por ela.
Os donativos que chegam de todas as partes do país estão sendo distribuídos, mas existem locais, como na zona rural, em que os caminhões baú não chegam. Então, este transporte está sendo feito em doses homeopáticas pelas caminhonetes disponibilizadas pela Samarco. Estou junto do pessoal do Servas – Serviço Social de Assistência Voluntária. Estou hospedada numa única pensão da cidade, junto da responsável do Servas aqui, Gabriela Gomes Cardoso, que mora em Belo Horizonte. A cidade necessita de muitos voluntários, porém não tem onde hospedá-los. Muitos vêm de Belo Horizonte pela manhã e voltam no mesmo dia à tarde ou à noite.
Muitas doações estão sendo perdidas por conta de validade. Mas o lamentável é que outras sendo desviadas por quem tem acesso ao galpão, onde a maior parte está armazenada. A prioridade da Samarco é reestabelecer o centro comercial do lugar. Por isso, caminhões e tratores circulam o dia todo retirando e transportando lama que, além de tóxica, está por todo lado.




