Meu pai era aquela espécie de pessoa a quem chamam de boa prosa. Falante, espirituoso, alegre, extrovertido, pândego. Nasceu no tempo em que o fogão era de lenha, as estradas eram de terra e os carros eram de boi e que a palavra dada valia mais que qualquer assinatura.
Que eu me lembre sempre foi careca, mesmo nas raras fotos mais moço. Gostava de usar um bigode, que não devia crescer nunca, pois mesmo estando com a barba por fazer o bigode permanecia sempre igual. Usava uns óculos quadrados e grandes, com as lentes grossas, de quem enxerga pouco. Tão pouco que muitas vezes não via como o vidro estava sujo e embaçado, dificultando ainda mais a visão. Quando alguém se oferecia pra lavar, enquanto aguardava a limpeza ficava fazendo um barulho característico com a boca, que nem era assovio e nem era assopro.
Pensando nele agora, posso dizer que papai, apesar de simples, tinha um “estilo” próprio e bom gosto nas escolhas.




