
Faleceu nesta tarde em Franca a professora Nenê Ewbank, aos 100 anos de idade, completados em 26 de maio. Sua morte ocorreu por complicações próprias da idade.
Há 15 dias entrou em coma e foi tratada em casa e posteriormente no Hospital Regional, onde faleceu nesta tarde.
A família está preparando o velório, que deve começar por volta das 21 horas de hoje, na sala 1, do Velório São Vicente.
O horário do sepultamento está marcado para às 15h desta quinta-feira, 2, no Cemitério da Saudade.
Uma história de vida
Com 100 anos, completados em maio passado, feliz tataravó, Dona Nenê Ewbank Seixas, foi um exemplo de amor e dedicação à família, aos amigos, à filantropia e ao trabalho.
Nascida em Franca, filha do professor David Ewbank, que deu nome à escola Cede, no distrito da Estação, e de Dona Sinhá, Dona Nenê escreveu sua história e marcou a comunidade francana por diversas coisas que fez.
Por 50 anos foi casada com o advogado Antônio Baldijão Seixas (cuja morte deixou uma grande lacuna), com quem construiu uma família feliz. Com ele, Dona Nenê teve quatro filhos: o advogado Antonio Carlos, a falecida professora Maria Lúcia, o agropecuarista e comerciante Mário Roberto e o empresário Paulo Fernando.
A partir deles, a família aumentou cada vez mais e hoje são 14 netos, 23 bisnetos e duas tataranetas. “É uma felicidade ver os frutos de meu amor com Baldijão”, dizia Dona Nenê.

E ela sempre foi uma mãe exemplar, que educou os filhos com tranquilidade, carinho e dedicação. Quando tinha de ser enérgica, Dona Nenê não hesitava, mas era tudo pelo bem e a educação de seus quatro tesouros, como ela mesma dizia.
Com seu marido, um apaixonado por sua personalidade e estilo de vida, ela aproveitou muito a vida, fez muitas viagens, participou de eventos e compartilhou gostos em comum, como o dom e amor pela música. Dona Nenê, pianista, e Baldijão violinista.
Além disso, o dom musical proporcionou muitos momentos de confraternização familiar. Os filhos sempre recordaram com muita saudade dos finais de tarde em que ficavam na sala ouvindo os pais tocando juntos.
Dedicação ao trabalho e ao social

Por 30 anos Dona Nenê foi professora de Ciências na Escola Industrial Júlio Cardoso. Nesse período, ela colaborou ativamente para a formação de milhares de alunos – pessoas que viraram empresários, políticos, autoridades, sempre atuantes na sociedade – que certamente nunca se esqueceram de suas aulas. “Sempre encontramos ex-alunos que expressam palavras de carinho por Dona Nenê”, lembram os filhos.
Além disso, ela sempre foi uma católica muito engajada em causas sociais. As mais famosas delas foram as campanhas que, com a ajuda de seus familiares e amigos, angariava presentes para distribuir na época de Natal.
“Formavam-se filas imensas de pessoas que iam buscar seus presentes”, dizia satisfeita. Dona Nenê dedicou muitos anos de sua vida à VOSF – Voluntárias Sociais de Franca.
Também ficou conhecida pelo seu outro dom: o trabalho manual. Ela fazia belas mantas de bebês e presenteava as grávidas, inclusive a empresaria Luizinha, cujos filhos Frederico, Ana Luiza e Luciana também usaram as famosas mantinhas. “Fico muito orgulhosa por terem usado e guardado as mantas que fiz com tanto carinho”, disse certa vez.
Desde 1946 – portanto, há 70 anos – Dona Nenê morou na conhecida casa de esquina das ruas Júlio Cardoso e General Osório, que não quis deixar nem quando ficou viúva, mesmo com a insistência dos filhos.
Após longos anos de vida e atuação na história de Franca, até a sua morte hoje à tarde, dona Nenê continuou a mesma mulher de sempre, vaidosa, como deve ser uma mulher elegante, porém simples de costumes.
Talvez, tanta luta e coragem para seguir em frente tenham sido resquícios das características herdadas de seus antepassados de descendência britânica.



