Prefeituras do interior de São Paulo estão usando tecnologia para combater o mosquito da dengue. No ano passado, a região noroeste do estado registrou mais de 100 mil casos e 119 mortes pela doença.
O drone usado para pulverizar lavouras no noroeste paulista é o mais novo aliado da Prefeitura de Urupês no combate à dengue.
O equipamento, emprestado por um produtor rural, despeja larvicida contra criadouros do mosquito em pontos da cidade de 13 mil habitantes e 500 casos registrados no ano passado.
“Todos os pacientes suspeitos ou diagnosticados são mapeados. Então, a equipe de endemias já recebe o endereço e, todo o entorno da residência, fazemos a pulverização com o drone. Consegue pulverizar um quarteirão em cerca de 1 minuto e meio, dois.” diz Beto Cacciari, prefeito de Urupês.
“Eu consigo fazer a logística de quanto vai cair e em qual local vai cair. A gente vai fazer o fracionamento do produto para que ele caia certo nas casas e com uma vazão ideal para que atinja o alvo”, diz Guilherme Leite Tavares, operador do drone.
A estratégia de usar drones no enfrentamento à dengue também foi adotada em São José do Rio Preto, maior cidade do noroeste paulista.
Mas, neste caso, o equipamento exerce a função de fiscalizar, do alto, terrenos que se tornaram pontos clandestinos de descarte de lixo. O objetivo é identificar as pessoas que estão jogando lixo para que sejam multadas.
O valor das autuações varia de R$ 1,5 mil a R$ 8 mil. 100 terrenos já foram mapeados para fiscalização.
Emergência
“Jogam pneus, baldes, recipientes que podem acumular água, e aí é um criadouro do mosquito, isso favorece a dengue”, diz José Heitor dos Santos, secretário de Serviços Gerais.
A cidade já decretou situação de emergência em saúde. No ano passado, foram 33 mil casos e 19 mortes. E as UPAs seguem lotadas.
“Cheguei aqui meio-dia, agora seis da tarde, não fui atendido ainda. Tem muita gente com dengue aí dentro? Tem muita gente passando mal”, diz o assentador de pedras Jonatan Lopes Domingos
Outras 15 cidades da região decretaram situação de emergência por conta da dengue. No total, são cerca de 103 mil casos e 119 mortes.
Epidemia mista
“Nós temos uma epidemia mista, com basicamente a mesma quantidade de dengue 2 e dengue 3. O que é importante é: o dengue 3 está circulando pela primeira vez de forma importante em 15 anos, então nós temos uma grande população suscetível”, disse o virologista e pesquisador da FAMERP, Maurício Nogueira, ao Jornal Nacional.
Segundo ele, “o dengue 2, que circula é o chamado genótipo cosmopolita, que é um vírus asiático, que chegou no Brasil há uns dois, três anos atrás e está se expandindo pelo Brasil. Esse é um contexto, em termos de virologia, preocupante para epidemia”, complementa.



