quinta-feira, 18 jun 2026 ☀ Franca/SP 17°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

O que é melhor e mais eficaz: Quarentena total ou quarentena em fases? Descubra

A importância da quarentena estrita - ou bloqueio total - tem sido amplamente debatida durante a epidemia de covid-19

Compartilhar
Enquanto nº de novos casos de Covid disparam no Brasil, protestos contra restrições seguem por todo o país
Enquanto nº de novos casos de Covid disparam no Brasil, protestos contra restrições seguem por todo o país
Enquanto nº de novos casos de Covid disparam no Brasil, protestos contra restrições seguem por todo o país

 

A importância da quarentena estrita – ou bloqueio total – tem sido amplamente debatida durante a epidemia de covid-19.

Um dos principais aspectos do debate é saber se a melhor estratégia é ter um bloqueio em duas fases – um bloqueio estrito seguido por um relaxamento das restrições – ou uma política de quarentena única e mais suave – o modelo sueco.

A resposta difícil é: Depende.

Continua depois da publicidade

Depende da característica de cada população, mais especificamente, de como as pessoas de um determinado local se relacionam.

As pesquisas mais recentes sobre esta questão, mostram que a segunda onda de uma epidemia é muito diferente se uma população tiver uma distribuição homogênea de contatos, em comparação com o cenário de subpopulações com diversos números de contatos.

Os pesquisadores usaram uma simulação para modelar o progresso de uma epidemia em uma rede onde a conectividade de cada indivíduo muda ao longo do tempo, modelando os efeitos das decisões políticas feitas em relação a vários graus de quarentena.

Como interromper a quarentena

Segundo os autores, se uma população tem uma distribuição homogênea do número de contatos, “o número total de infectados ao final da epidemia é o mesmo que se nenhum bloqueio tivesse sido decretado (saturação do sistema de saúde à parte)”.

Ao passo que, no caso de frequências diversas de contatos, o número total de indivíduos infectados pode ser significativamente menor.

O motivo para esse efeito é simples: depois que os indivíduos com grande número de contatos pegam a doença e adquirem imunidade, eles não mais ajudam na propagação da epidemia, que desacelera.

Portanto, o momento ideal para permitir que as pessoas que têm poucos contatos aumentem as conexões (suspendendo o bloqueio) seria depois que as pessoas com grande número de contatos se tornassem imunes.

Isso irá minimizar o número líquido de indivíduos infectados ao longo da epidemia.

A simulação em computador sugere ainda um procedimento baseado em graus que seria ideal para suspender a quarentena: “Libere primeiro as pessoas com muitos contatos sociais”.

Medidas práticas

Na prática, quando o estado suspende a quarentena estrita (ou passa de uma fase da quarentena para a próxima fase), sempre há uma escolha.

Pode-se abrir lojas menores (onde os caixas são nós de alto risco) ou pode-se permitir reuniões (que normalmente consistem em nós de baixo risco).

O modelo sugere que as lojas precisam ser abertas primeiro: “Desta forma podemos salvar muitos indivíduos (principalmente nódulos de baixo grau) de serem infectados”.

Os autores continuam: “Isso tem duas consequências importantes: primeiro, enfatiza a relevância da adoção de medidas de bloqueio para interromper o primeiro surto de uma epidemia e, segundo, mostra que a segunda e as ondas seguintes podem ser mais brandas do que o esperado.”

Contudo, a diferença entre as teorias dos cientistas e a realidade pode ser bastante grande.

Por exemplo, nenhum modelo divulgado até agora levou em conta o fato de que algumas pessoas podem não se tornar realmente imunes à covid-19, pegando a doença mais de uma vez, ou que a imunidade adquirida seja de pequena duração.

*Com informações Diário da Saúde