Sete anos após um estudo desenvolvido pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica da Universidade de São Paulo (USP), para solucionar o problema recorrente das enchentes em Franca, a Prefeitura ainda não viabilizou o projeto.
A obra está estimada em R$ 300 milhões, segundo o órgão.
O plano sugere a instalação de reservatórios de água nos córregos que cortam a cidade, além de criar condições para uma gestão sustentável da drenagem urbana e propor uma ação global para o município.
Em nota, a Prefeitura de Franca disse que realiza estudos e busca alternativas, como viabilizar financeiramente obras para sanar problemas com as enchentes. Ainda segundo o Executivo, um dos projetos já está sendo desenvolvido.
O problema das enchetes é antigo. O município é formado por três colinas, onde estão as regiões Estação, Centro e Santa Cruz. Entre essas áreas, no entanto, ficam duas regiões mais baixas por onde passam os córregos dos Bagres e Cubatão.
As precipitações deste ano, com o janeiro mais chuvoso desde 2016, expõem a incapacidade de escoamento pluvial.
No começo de fevereiro, os córregos transbordaram e alagaram algumas das principais avenidas da cidade. A água invadiu casas e lojas e causou transtornos a moradores.
Na Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, a água subiu tão rápido que um motorista precisou abandonar o carro e saiu no meio da enchente.
Problema recorrente
Quando o céu de Franca fica carregado de nuvens escuras, os comerciantes já começam a ficar preocupados. É o caso do lojista Fabrício Freitas Pereira, que, há dez anos, vende ferramentas na Avenida Hélio Palermo.
“A gente fica muito assustado, com muito medo, em relação a essas chuvas. Nossos clientes já sabem desse medo, desse transtorno, então, eles evitam passar na nossa loja quando chove. Já perdi várias vendas, vários clientes, devido a isso. E a preocupação só vem aumentando”, diz.
O medo também é compartilhado pelo aposentado Luiz Antônio Scaion, que diz evitar passar pela região dos córregos dos Bagres e Cubatão, justamente por causa das enchentes constantes.
“Tenho medo. Tento que evitar passar por aqui, pois a gente não pode facilitar. Vira um rio, um mar. Tem que melhorar isso”, afirma Scaion.
Alternativas
O estudo da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, desenvolvido entre 2010 e 2013, mostra as alternativas para evitar as enchentes na cidade.
O engenheiro civil, especialista em hidráulica e recursos hídricos, Rodrigo Martins Lucci, participou da elaboração do plano de drenagem urbana.
Segundo ele, o município já tem o projeto para solucionar os problemas de alagamentos, porém, falta a administração colocar em prática.
“Foram propostos alguns reservatórios na região do córrego dos Bagres. Esses reservatórios nas épocas de chuva, acumulam volume por certo tempo, ou seja, a água sai do canal, fica reservada em um ponto, para que, depois dessa chuva, volte a jogar essa água que o reservatório segurou, no próprio canal”, explica.
Lucci explica que isso evitaria o transbordamento, conforme planejado no levantamento. “Quando essas obras estiverem prontas, o reservatório vai deter o volume suficiente para que o canal não transborde.”
A Prefeitura informa que contratou uma empresa para fazer o projeto de alargamento e aprofundamento do Córrego Cubatão, com obras de acessibilidade.
Uma reunião foi realizada nesta semana para ajustes técnicos entre representantes e engenheiros.
“É uma obra de alto investimento, e o compromisso da empresa é apresentar a versão final do projeto, com os ajustes solicitados, até março, para que seja feito o processo de licitação”, disse.
Confira as soluções propostas pelo projeto
- Ampliação e adequação da canalização, e implantação de reservatórios de detenção na bacia dos córregos dos Bagres e Cubatão;
- Ampliação e adequação da canalização, e implantação de reservatórios de detenção;
- Intervenção nos canais e redução das velocidades, mudando o regime de escoamento de torrencial para fluvial;
- Na Bacia do Espraiado: implantação de parques lineares e adequação da represa do Castelinho e do Parque Alagável;
- Nas demais bacias urbanas: implantação de parques lineares, com adequação de travessias;
- Nos parques lineares: obras de ampliação de canal, que promovem o amortecimento das descargas afluente.



