
O antropólogo, historiador e pesquisador, e um dos mais conhecidos ativistas brasileiros em favor dos direitos civis LGBT, Luiz Mott estará em Franca a partir desta quarta-feira, 02 de agosto, a convite do Programa de Pós-Graduação em História na Unesp
Nesta quarta-feira, 02, às 18h, Luiz Mott fará ainda o lançamento de seu livro “São Tibira do Maranhão, 1º Mártir Gay do Brasil, 1614”.
Leia entrevista com Mott, Professor Titular de Antropologia da Universidade Federal da Bahia, Doutor pela Unicamp, Mestre pela Sorbonne e Licenciado em Ciências Sociais pela USP.
Portal Unesp: Recentemente a Unesp aprovou resolução que diz respeito ao uso de nome social para transgêneros (http://www.unesp.br/portal#!/noticia/27863/unesp-assegura-uso-de-nome-social-para-transgeneros/). Como vc, vê essa conquista dentro do panorama geral do assunto no Brasil?
Mott: As universidades devem liderar a afirmação da cidadania das minorias sociais, mulheres, índios, negros, lgbt, etc. Não só realizando pesquisas e divulgando trabalhos científicos sobre o tema, mas dando exemplo de aplicação de políticas públicas que garantam a cidadania dessas categorias. No caso da comunidade LGBT, a Universidade caminha lentamente, em parte por omissão dos próprios docentes, alunos e funcionários lgbt que não pressionam para erradicar qualquer manifestação de homofobia, como para garantir direitos isonômicos. O reconhecimento do nome social de transexuais é medida fácil de ser aplicada e de grande importância para dar visibilidade às trans e garantir-lhes seu direito elementar de serem chamadas pelo seu verdadeiro nome.
PU: Qual é a sua percepção de questões envolvendo a dimensão LGBT na universidade brasileira e na socidade como um todo? A sua visão é otimista ou não no sentido de essas discussões estarem alcançando maior visibilidade?
Mott: Lastimavelmente o Brasil é um país extremamente contraditório para os LGBT: em seu lado cor de rosa, abriga a maior parada LGBT do mundo, tem a maior associação LGBT da America latina, já aprovou o casamento homoafetivo, porem, tem seu lado vermelho sangue, representado pelos cruéis assassinatos de gays e travestis. A cada 23 horas registra-se um “homocídio”, 343 em 2016, 237 neste ano. Metade dos assassinatos homofóbicos do mundo são cometidos no Brasil. Herdamos da Inquisição e escravidão essa sangrenta homofobia, infelizmente atualizada pelos sermões homofóbicos dos fundamentalistas evangélicos e católicos, cada vez mais poderosos no Parlamento e que fizeram Dilma/Temer reféns de seu projeto teocrático de dominação de nosso país. Sempre sou otimista e acredito que apesar dos Felicianos, Malafaias, Bolsonaros e dos fundamentalistas cristãos, a história da libertação lgbt é irreversível e o Brasil há de erradicar os crimes contra lgbt e aprovar a cidadania plena de mais de 20 milhões de brasileiros cujo “crime” é amar seus semelhantes.
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