Com aproximadamente 9m de comprimento, o trato digestivo é uma
longa e sinuosa estrada, difícil de trafegar. Agora, cientistas do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, descobriram uma forma de
explorá-lo e, assim, detectar com facilidade alterações que podem indicar
doenças graves.
Eles desenvolveram um sensor que, ingerido, faz o diagnóstico de
problemas gastrintestinais e estomacais. Diferentemente do exame de cápsula
endoscópica, que fornece imagens dos órgãos, o dispositivo trabalha
identificando moléculas sugestivas de sangramento excessivo. De acordo com os
pesquisadores, o sistema pode ser adaptado para apontar biomarcadores
associados a diversas outras condições de saúde.
O estudo foi publicado na capa da revista Science da última semana
e, para os autores, é o primeiro passo para desvendar um dos mais complexos
sistemas do organismo. Hoje, com o crescente interesse nas pesquisas sobre a
relação da microbiota intestinal e uma variedade de doenças, que vão de
obesidade a depressão, Timothy Lu, professor do MIT e coautor do artigo,
defende a necessidade de um dispositivo que permita explorar esse ambiente com
facilidade e frequência. “Há um grande interesse sobre a biologia e a atividade
do intestino humano, assim como as interações entre as bactérias que vivem nas
nossas entranhas e no resto do corpo. Mas esse é um lugar difícil de acessar e
compreender”, disse, em uma teleconferência de imprensa. “As estratégias que
temos hoje são tipicamente limitadas a fazer fotos ou tirar pequenas amostras
para biópsias. O nosso objetivo é construir sensores biológicos que possam
servir como leitores de algumas dessas interessantes locações”, explicou.
Biológico porque o sistema do MIT utiliza bactérias geneticamente
modificadas que, dentro das cápsulas, desempenham o papel de sensores.




