A doença de Alzheimer pode ser
uma consequência de infecções por vírus que aconteceram ao longo da vida,
principalmente o vírus da herpes, diz estudo publicado na última quinta-feira,
21 de junho, na revista “Neuron”. A pesquisa analisou três diferentes
bancos de dados de cérebros e mostrou, segundo os autores, o maior conjunto de
evidências registrado até agora sobre essa relação.
No total, cientistas analisaram 622 cérebros de pessoas
que tiveram Alzheimer e 322 órgãos de pessoas sem a doença.
O estudo teve a participação de pesquisadores da
Universidade do Estado do Arizona e da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai,
ambas nos Estados Unidos. Cientistas contaram com financiamento do NIH
(Instituto Nacional de Saúde dos EUA). “Trata-se de um estudo publicado em
uma revista importante sobre uma discussão grande na ciência: a relação entre
micro-organismos e o cérebro”, diz Almir Ribeiro Tavares Júnior, professor
da Faculdade de Medina da Universidade Federal de Minas Gerais que já
acompanhou estudos com Alzheimer no NIH.
O pesquisador explica que
cientistas desconfiam há décadas da relação entre demências e infecções.
Acredita-se que a proteína associada à doença de Alzheimer, a beta amiloide,
pode ser produzida como uma reação do sistema imunológico a infecções por
micro-organismos. “A beta amiloide se associa com morte neuronal e pior
transmissão de impulsos entre neurônios. Antes, pensava-se que ela fosse a
causa da doença de Alzheimer. Hoje, ela também é estudada como
consequência”, diz o pesquisador.




