Mais incidente no mundo — são
diagnosticados, em média, 1,8 milhão de casos por ano —, o câncer de pulmão
costuma não ter sintomas clínicos nos estágios iniciais. Geralmente, quando
confirmada, a doença está avançada e, portanto, com possibilidade menor de
cura.
Criar instrumentos que facilitem a
identificação precoce desse tipo de tumor desafia cientistas, e uma equipe
britânica apresenta uma solução que chama a atenção pela simplicidade e pelo
ganho de tempo. Segundo eles, um exame de sangue poderá ser usado para
identificar alterações pré-cancerígenas, antes mesmo de o carcinoma surgir.
Detalhes do trabalho foram divulgados ontem, na revista Disease Models and
Mechanisms.
O foco dos pesquisadores das
universidades de Cambridge e de Leicester é o nível circulante de DNA no sangue.
Células cancerígenas vão derramando essa molécula na corrente sanguínea à
medida que crescem e se multiplicam indiscriminadamente.
Em experimentos com
ratos, os cientistas conseguiram identificar alterações do corpo antes de elas
se tornarem um tumor maligno. “Essa observação é excitante porque sugere que as
mutações causadoras de tumor podem ser detectadas no DNA circulante de
pacientes com câncer em estágio inicial ou com tumores pré-cancerígenos”, diz,
em comunicado, Miguel Martins, pesquisador na Unidade de Toxicologia do Medical
Research Council (MRC), ligado à Universidade de Cambridge, e principal autor
do estudo.




