Uma equipe de
cientistas internacionais, incluindo brasileiros, descobriu que pacientes com câncer colorretal apresentam micro-organismos
diferentes no intestino. De acordo com a equipe, essa diferença está
relacionada à quantidade aumentada de algumas bactérias intestinais.
O estudo, publicado na
revista Nature Medicine, aponta que essas alterações começam
antes do diagnóstico de câncer – sendo, portanto, uma possível causa para a
doença.
Os pesquisadores
acreditam que esta nova descoberta vai facilitar o diagnóstico
precoce e auxiliar no tratamento já que a neoplasia tem altos
índices de cura quando identificada cedo. “Essa informação também pode ajudar
na prevenção, pois a quantidade de micro-organismos intestinais pode ser
regulada através da dieta”, explicou Emmanuel Dias Neto, do Centro Internacional de Pesquisas (Cipe), no A.
C. Camargo Cancer Center.
O especialista ainda
destacou que uma alimentação rica em gordura pode contribuir negativamente para
o quadro, promovendo o aumento no número de bactérias prejudiciais.
O câncer colorretal
é o terceiro mais comum no mundo, incluindo no Brasil. Além disso, ele é o segundo tipo de tumor letal com maior
incidência nas mulheres e o terceiro entre os homens. Felizmente, quando
diagnosticado precocemente, a chance de cura chega a 95%.
O estudo
Para chegar a esta conclusão, a equipe internacional
– formada por pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, em parceria
com o A.C. Camargo Center e a Universidade de São Paulo (USP), no Brasil –
analisaram o material genético de amostras
extraídas das fezes de 969 pessoas de vários nacionalidades (Alemanha, França,
Itália, China, Japão, Canadá e Estados Unidos). Para fins de comparação, as
amostras foram coletadas de indivíduos com e sem
câncer.
A
análise mostrou a existência de 16 micro-organismos associados ao câncer
colorretal. Para os pesquisadores, a presença aumentada dessas bactérias no
intestino pode contribuir para o surgimento da doença. Essa
relação pode ser explicada através da colina –
um nutriente presente em alimentos de origem animal, como carne e ovos.
Segundo os
cientistas, essas bactérias transformam a colina em uma substância
potencialmente perigosa que já foi anteriormente associada à doenças cardiovasculares.
Apesar
disso, ainda não foi possível determinar porque acontece o aumento na
quantidade dessas bactérias. No entanto, de acordo com Neto, hábitos
danosos, como álcool e cigarro, e a manutenção de uma dieta gordurosa são
fatores de risco para o quadro.
Portanto, é
importante evitar o alcoolismo e o tabagismo, assim como evitar o consumo
de carnes processadas e reduzir a ingestão de carnes vermelhas. Vale a pena
também investir em alimentos rico em fibras e cereais integrais já que eles
ajudam a reduzir o risco dessa neoplasia.



