Com a descoberta nas
últimas décadas de biomarcadores genéticos e bioquímicos relacionados a
diversas doenças, a medicina tem caminhado para se tornar uma disciplina cada
vez mais individualizada e precisa.
Como não há
praticamente testes objetivos que guiem o psiquiatra tanto no diagnóstico como
na escolha da terapia mais adequada, a área tem potencial de se beneficiar
desse tipo de pesquisa.
Um estudo recente capitaneado por pesquisadores brasileiros aplicou essa
abordagem inovadora a fim de aprimorar o tratamento de pessoas com
esquizofrenia.
O grupo identificou,
pela primeira vez, um conjunto de biomarcadores que podem vir a auxiliar
psiquiatras a escolher a melhor medicação para esses pacientes. “Hoje os
psiquiatras conseguem diagnosticar relativamente bem a esquizofrenia, mas eles
não possuem nenhuma ferramenta molecular, nenhum teste, que os ajude a escolher
a medicação mais adequada para um paciente tomar. Eles optam, praticamente, ao
acaso”, diz Daniel Martins de Souza, professor da Unicamp e um dos autores
do estudo, publicado na revista científica Frontiers Psychiatry.
Essa
“loteria” farmacológica, como seria de esperar, traz prejuízos para o
tratamento. Quase metade dos pacientes não apresenta melhoras de sintomas na
primeira rodada de medicação – algo que só pode ser resolvido com a troca do
remédio. Cada rodada de medicação, contudo, demora de quatro a seis semanas
para ter seus resultados avaliados (e podem ser necessárias várias rodadas até
que seja encontrada a droga mais adequada).




