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Lembrar menos, viver mais: por que esquecer é crucial para a memória duradoura

Pesquisa da Unesp explica como o esquecimento auxilia o cérebro na renovação de memórias e na preservação da saúde mental

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Portrait of attractive senior lady stands with eyes closed keeps fingers on temples thinks about something and tries to find solution has bad memory dressed in casual wear isolated on yellow wall
O esquecimento é essencial para a saúde da memória – foto Arquivo

 

A perda de memória é uma queixa frequente entre os idosos, variando de 8% a 50% conforme os estudos.

Esse problema está frequentemente associado a fatores como depressão, ansiedade, baixa escolaridade e síndromes demenciais.

No entanto, a perda de memória não se limita apenas ao envelhecimento natural, mas também ao impacto de emoções e condições de saúde mental.

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O Que é Memória?

Para a maioria das pessoas, memória é a capacidade do cérebro de armazenar e resgatar informações. O professor Ivan Izquierdo, uma referência no estudo da memória no Brasil, define memória como a “aquisição, conservação e evocação de informações”.

Quando ocorre um esquecimento — tecnicamente chamado de amnésia —, há uma falha na evocação dessas informações, que pode ser permanente e progressiva em casos de síndromes demenciais, ou transitória, causada por estresse, substâncias ou lesões cerebrais.

A Importância da Memória e do Esquecimento

A percepção de falhas de memória é especialmente dramática para os idosos, afetando não só sua qualidade de vida, mas também sua identidade e suas relações.

Eric Kandel, neurocientista, reforça essa ideia, indicando que a perda de memória conduz à perda do sentimento de si, da história de vida e das interações duradouras.

Para entender as falhas de memória, devemos considerar:

1. Estados emocionais influenciam a formação de memórias.
2. Memória é um termo genérico com diferentes sistemas.
3. A consolidação da memória requer mudanças na estrutura e função cerebral.

Memória e Emoção

Memórias carregadas de emoções fortes, sejam positivas ou negativas, tendem a ser mais duradouras. Estruturas como a amígdala e redes neurais como o sistema de recompensa desempenham papéis cruciais nesse processo.

Fatores emocionais como depressão e ansiedade afetam a memória em todas as suas fases — aquisição, consolidação e recuperação. Estes transtornos são comuns entre os idosos, exacerbando os problemas de memória.

Sistemas de Memória

Nem todas as experiências são memorizadas, e isso é normal. Por exemplo, você provavelmente não lembra o que comeu em 5 de junho de 2023, a menos que tenha sido um evento especial. Esse tipo de esquecimento é saudável, evitando sobrecarga de informações irrelevantes.

Existem memórias de curta e longa duração. Memórias de curta duração armazenam informações temporárias, enquanto memórias de longa duração podem durar a vida inteira. Essas memórias são classificadas em:

– Não-declarativas: Automáticas, como andar de bicicleta.
– Declarativas: Podem ser autobiográficas (pessoais) ou semânticas (conhecimentos).

Arquitetura Cerebral da Memória

A formação de memórias novas e a recuperação de memórias antigas ocorrem em diferentes regiões do cérebro.

Estruturas hipocampais são essenciais para a formação de novas memórias, enquanto o córtex pré-frontal está relacionado à evocação de memórias.

Com o envelhecimento, há uma diminuição da densidade neural nessas áreas, mas isso não significa necessariamente um declínio cognitivo.

O cérebro possui uma capacidade chamada plasticidade neural, que permite adaptação e reorganização.

Plasticidade Neural e Envelhecimento

A capacidade do cérebro de se adaptar e reorganizar pode ser estimulada pelo aprendizado contínuo. Aprender coisas novas modifica a estrutura cerebral, demonstrando que a memória não é estática.

Podemos definir memória como a capacidade de alterar o comportamento com base em experiências passadas. Assim, memória é dinâmica e se altera ao longo da vida.

O Papel Saudável do Esquecimento

Os déficits de memória não são apenas a dificuldade de recordar fatos passados, mas também a habilidade de construir novas memórias e reconstruir as antigas.

O esquecimento é essencial para a saúde da memória, permitindo que o cérebro elimine informações desnecessárias.

A condição de “não esquecer nada” é uma doença rara chamada Hipertimesia, ou Síndrome da Supermemória, onde a capacidade de lembrar tudo é considerada patológica.

Portanto, tanto lembrar quanto esquecer são cruciais para nossa identidade e bem-estar. Como disse Ivan Izquierdo, nossa identidade é formada não apenas pelas memórias que mantemos, mas também pelas que esquecemos.

Em condições normais, somos responsáveis tanto pela construção quanto pela manutenção de nossa memória, onde o esquecimento desempenha um papel fundamental.

*Informações CNN