Brincar com colegas ou passear em
locais públicos com a família nem sempre são fontes de diversão para crianças
autistas. Se algo não sai como esperado ou foge da rotina, a reação pode ser
explosiva, com atitudes agressivas e berros.
A dificuldade de interação social,
muitas vezes confundida com birra ou timidez, é uma das principais
características do autismo, transtorno que afeta milhares de crianças no País e
que, atualmente, é alvo de dois estudos que buscam uma abordagem terapêutica
inédita para o problema.
As novas linhas de pesquisa apontam
para a possibilidade de que o cérebro do autista produza substâncias em
desequilíbrio e que isso poderia ser corrigido com medicamentos. Nenhum dos
estudos indica ou promete cura, mas revela novos caminhos de tratamento
associados às terapias comportamentais já indicadas. Hoje não há remédios
específicos para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), apenas drogas para
atenuar sintomas relacionados, como irritabilidade ou insônia.
Um desses estudos obteve em fevereiro
autorização da agência de vigilância sanitária americana, a FDA, para ter seus
testes avaliados pelo órgão de forma prioritária, dada a inovação do trabalho e
o ineditismo da droga proposta. Desenvolvida pela farmacêutica Roche, a
pesquisa identificou que a vasopressina, um dos hormônios associados ao medo,
funciona de forma diferente nos autistas, prejudicando a interação social. “A
droga tem o objetivo de promover um reequilíbrio e, como consequência, mudar a
performance na parte do cérebro responsável pelas emoções, onde o hormônio
atua”, diz o diretor médico da empresa no País, Lenio Alvarenga.




